Política

Flávio desiste de pedir anulação, mas mantém ofensiva contra chapa de Lula

Recuo foi relatado na segunda-feira. Campanha mira suposto abuso de poder; PL reconhece resultado, e dados da prorrogação ajudam a explicar a mudança.

Flávio Bolsonaro discursa à tribuna do Senado, em fotografia de arquivo.
Flávio Bolsonaro no Senado em 1º de setembro de 2026. Foto de arquivo: Carlos Moura/Agência Senado. Origem · CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a manifestação após a eleição.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abandonou a intenção de pedir a anulação da votação que reelegeu Lula (PT), mas mantém o plano de buscar a cassação da chapa vencedora por supostos abusos durante a campanha. A mudança foi relatada pela CNN Brasil na segunda-feira (26), com base em integrantes da campanha ouvidos sob reserva, e sucede a contestação anunciada pelo senador na noite da derrota.

O recuo diz respeito à validade dos votos. Ele não significa o encerramento das disputas judiciais nem equivale, por si só, a uma declaração pública de Flávio reconhecendo a vitória de Lula.

Dados da prorrogação pesaram no recuo

Em reportagem publicada nesta terça-feira (27), o jornalista Teo Cury, da CNN, informou que o volume de votos registrados depois das 17h ajudou a esvaziar a proposta de anulação. Segundo levantamento da Setup.news, parceira da emissora, com dados do TSE, foram 29.001 votos entre 17h e 17h05 e outros 5.329 até o último registro: 34.330 ao todo.

A contagem por horário é atribuída ao levantamento citado pela CNN; o Matutino não refez essa extração dos registros individuais. A reportagem ressalva que parte desses eleitores pode ter chegado às seções antes das 17h.

O resultado nacional final, consultado diretamente pelo Matutino no arquivo do TSE, mostra Lula com 64.256.232 votos (51,79%) e Flávio com 59.826.041 (48,21%). A diferença é de 4.430.191 votos, com 100% das seções totalizadas.

PL reconhece o resultado, mas cobra esclarecimentos

O partido de Flávio já reconheceu o resultado proclamado pelo TSE. Segundo a Agência Brasil, a posição consta de nota divulgada na segunda-feira e assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Na manifestação, Valdemar questiona a ampliação de gastos com benefícios sociais perto da eleição e pede esclarecimentos. São alegações do partido sobre a campanha; a nota não demonstra que tenha ocorrido abuso.

A disputa muda de foco

No domingo (25), Flávio havia atacado a prorrogação da votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e anunciado que pediria a anulação. Agora, conforme a CNN, a estratégia passa a mirar o suposto uso eleitoral da máquina pública e a cassação da chapa Lula–Geraldo Alckmin.

Anunciar uma ação ou apontar irregularidades não significa obter uma decisão favorável. O resultado oficial permanece a reeleição de Lula.

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