
A Unesco registrou a morte de 189 jornalistas em ataques violentos no mundo em 2024 e 2025, alta de 20% em relação ao biênio anterior. Dos casos, 127 ocorreram em zonas de conflito, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira (2), Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.
A organização também informou que a parcela de assassinatos de jornalistas ainda sem solução judicial subiu de 85% para 86%, interrompendo uma tendência de queda observada desde o início da medição, em 2012.
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O balanço sobre segurança da imprensa é publicado a cada dois anos. O número de mortos se refere ao biênio 2024–2025; o indicador de impunidade reúne casos registrados pela Unesco desde 2006 e considera investigações sem solução e situações em que não houve resposta das autoridades. Os dois percentuais, portanto, medem fenômenos e períodos diferentes.
Risco em zonas de conflito
Segundo a Unesco, 50 jornalistas morreram em ataques com drones no biênio, cerca de 40% das 127 mortes registradas em zonas de conflito. A entidade também relatou episódios em que vários profissionais morreram em um mesmo ataque, inclusive em instalações usadas pela imprensa.
A presença em uma zona de conflito não demonstra, por si só, que cada profissional tenha sido escolhido deliberadamente como alvo. A Unesco relata ainda 15 mortes em que as vítimas usavam identificação de imprensa ou estavam em veículos identificados.
Entre os mortos no biênio havia 14 mulheres, das quais 13 estavam em zonas de conflito, de acordo com a organização. Os registros se referem a mortes violentas e não incluem a totalidade de outras ameaças à imprensa, como detenções, desaparecimentos, intimidação e violência digital.
Apuração e proteção
A Agência Brasil informou, com base no levantamento, que um dos casos registrados no Brasil no período foi o de Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, morto em maio de 2025 em uma rádio em Abaetetuba, no Pará. Segundo a reportagem, a Polícia Civil informou que o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas. Indiciamento não equivale a condenação.
Os números de diferentes organizações de defesa da imprensa podem divergir porque seus critérios e a verificação das circunstâncias de cada morte não são necessariamente os mesmos. A Unesco observa que investigar e responsabilizar os autores é parte da proteção do direito à informação.
A data de 2 de novembro foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em memória de dois jornalistas franceses mortos no Mali em 2013. O comunicado da Unesco acompanha a divulgação das conclusões de seu relatório bienal.





















