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Apib pede proteção a indígenas de MS após relatos de ameaças e violência

Entidade cobra investigação e segurança para as comunidades. Denúncias sobre água exigem apuração; contaminação não está comprovada nos materiais consultados.

Célia Xakriabá durante sessão no plenário do Congresso, em fotografia de arquivo.
Célia Xakriabá em sessão do Congresso em 5 de julho de 2022. Arquivo; não retrata as comunidades citadas nas denúncias. Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal. Origem · CC BY 2.0. Cores e proporções preservadas.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pediu investigação e proteção para comunidades de Mato Grosso do Sul após receber relatos de violência e de ameaças de envenenamento de fontes de água no período posterior à eleição presidencial. A mobilização foi noticiada nesta terça-feira (27) pela Agência Brasil e pelo Globo.

O Matutino consultou a imagem da nota da Apib reproduzida pelo Globo. O documento cobra providências urgentes das autoridades e apresenta os episódios como denúncias das lideranças. Não contém laudo de água, conclusão policial ou identificação de responsáveis.

A existência da denúncia está documentada. Isso não comprova que a água tenha sido contaminada nem permite atribuir os episódios a pessoas determinadas sem investigação.

Água e proteção das comunidades

A Agência Brasil ouviu a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), que afirmou ter solicitado apuração de um possível envenenamento da água consumida por Guarani Kaiowá. A parlamentar relata ameaças em áudio e destaca a dependência de abastecimento por caminhões-pipa em comunidades do estado.

Segundo a agência, o caso foi encaminhado aos ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral. A reportagem também informa que os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial pediram investigação de relatos de violência contra indígenas, quilombolas e povos de terreiro.

Pedidos não equivalem a conclusões

O Globo relata que a Apib encaminhou ofício e representação criminal a órgãos federais, pedindo apuração das ocorrências e de eventuais omissões policiais. Em Tacuru, o cacique e vereador Ivan Montiel, da Aldeia Sassoró, repudiou as ameaças e disse que buscará responsabilização judicial.

Os relatos precisam ser examinados caso a caso. A sequência temporal após a eleição, sozinha, não comprova motivação política para cada morte, atropelamento ou ameaça mencionada pelas entidades.

Os áudios originais e o inteiro teor das representações não foram consultados pelo Matutino. A cobertura registra os pedidos de proteção e apuração, mantendo separados o relato dos denunciantes e aquilo que vier a ser confirmado pelas autoridades.

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