Economia

Consumo nos lares cai 1,46% em setembro e mantém alta de 2,70% no ano

Indicador da Abras considera valores descontados da inflação. Comparações mensal, anual e acumulada mostram recortes diferentes do desempenho dos supermercados.

Ilustração editorial por IA de compras de supermercado sobre bancada doméstica, sem marcas.
Compras para o lar. Ilustração por IA: Matutino.

O indicador Consumo nos Lares Brasileiros recuou 1,46% em setembro ante agosto, segundo balanço da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgado nesta quinta-feira (29) e relatado pela Agência Brasil. De janeiro a setembro, porém, houve crescimento real de 2,70% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

A queda mensal e a alta no acumulado não são resultados incompatíveis. Um número compara setembro com agosto; o outro confronta nove meses de 2026 com nove meses do ano anterior.

Em relação apenas a setembro de 2025, o indicador avançou 0,59%. O resultado acumulado até agosto havia sido de 2,71%, praticamente o mesmo patamar dos nove meses, conforme a avaliação da entidade.

O que o indicador mede

O levantamento acompanha o desempenho de diferentes formatos de supermercados. Os resultados são apresentados em valores reais, com desconto da inflação medida pelo IPCA, do IBGE. A página metodológica da Abras confirma essa distinção entre variações nominais e reais.

O percentual real não deve ser apresentado como aumento de preços. Também não equivale, por si só, à variação da quantidade física comprada de cada produto.

Na sequência mensal citada pelo balanço, julho havia registrado alta de 3,01% e agosto, de 2,21%. Setembro interrompeu esse movimento de dois meses. A comparação é entre períodos diferentes e não permite concluir que todos os estabelecimentos ou todas as famílias tiveram a mesma trajetória.

Leitura do orçamento doméstico

Marcio Milan, vice-presidente da Abras, avaliou que o consumo segue positivo no ano enquanto as famílias conciliam compras para o lar e outros compromissos. A análise da entidade foi relatada pela Agência Brasil.

O balanço setorial descreve o desempenho agregado das compras. Ele não demonstra, isoladamente, que uma política específica causou a mudança de setembro ou que a situação financeira de cada família melhorou.

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