Agro

Receita de máquinas agrícolas cai 21,6% no ano, apesar de reação em setembro

Alta de 8,2% sobre agosto não elimina a retração ante 2025. Comparações de faturamento e exportações medem movimentos distintos do setor.

Receita de máquinas e implementos agrícolas: queda de 21,6% de janeiro a setembro ante 2025; alta mensal de 8,2% em setembro e queda de 15,7% ante setembro de 2025. Bases de comparação distintas.
Receita de máquinas. Infográfico: Matutino.

A receita líquida da indústria de máquinas e implementos agrícolas caiu 21,6% de janeiro a setembro em relação ao mesmo período de 2025. O dado é atribuído a um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgado na quarta-feira (28) pela Agência Estado e pela CNN Brasil.

Em setembro, houve alta de 8,2% sobre agosto. Na comparação com setembro de 2025, porém, a receita recuou 15,7%.

A melhora de um mês para outro não reverte a queda acumulada no ano. As três taxas comparam períodos diferentes e podem ocorrer ao mesmo tempo.

O que o indicador mede

As variações se referem à receita de máquinas e implementos agrícolas. Elas não devem ser apresentadas como variação da quantidade de tratores vendidos, da área plantada ou da produção da safra.

Uma queda de faturamento de 21,6% não significa, por si só, que o número de máquinas comercializadas tenha diminuído na mesma proporção.

Na avaliação atribuída à Abimaq pela CNN Brasil, o endividamento dos produtores rurais e o custo do financiamento restringem o investimento em equipamentos. A expectativa da entidade é de estabilidade e leve crescimento à frente; trata-se de uma projeção, não de recuperação já confirmada.

Exportações avançam no mês

As exportações do segmento somaram US$ 161,69 milhões em setembro, alta de 21,2% sobre agosto e de 8,4% em relação a setembro do ano anterior, segundo os dados divulgados nas duas reportagens.

O avanço das exportações não demonstra recuperação integral das vendas do setor. O resultado externo tem moeda e base de comparação próprias e convive com a retração da receita acumulada.

A reação de setembro interrompe, na comparação mensal, um quadro fraco de faturamento. Ainda não permite afirmar que a retração observada ao longo do ano tenha sido superada.

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