
Pesquisadores afirmam ter encontrado estruturas microscópicas semelhantes a células sanguíneas em um osso de dinossauro descoberto no Ceará. O material pertence ao Aratasaurus museunacionali, animal que viveu há cerca de 115 milhões de anos na região da Bacia do Araripe. A interpretação é contestada por uma especialista ouvida pelo jornal britânico The Guardian.
O estudo, divulgado nesta segunda-feira (2), analisou um fóssil já conhecido da ciência. A equipe liderada por Kliti Grice, da Universidade Curtin, na Austrália, identificou estruturas mineralizadas em canais do osso da perna e sinais químicos associados ao heme, componente relacionado à hemoglobina, segundo reportagens da Reuters e do The Guardian.
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Os pesquisadores propõem que as estruturas sejam vestígios fossilizados de glóbulos vermelhos. Essa identificação ainda é objeto de debate e não significa que sangue líquido tenha sido encontrado.
Por que há debate
O heme é uma molécula que contém ferro e está associado à proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. A equipe também relatou sinais de componentes químicos relacionados ao colágeno. De acordo com a Reuters, os indícios foram obtidos com diferentes técnicas de análise aplicadas ao osso.
A paleontóloga Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, não participou da pesquisa e disse ao The Guardian que não está convencida de que as formas sejam células sanguíneas. Ela observou que a forma descrita difere da esperada para células nucleadas desse tipo. A pesquisadora considerou mais persuasivos os sinais de heme e de componentes do colágeno, conforme a reportagem.
Encontrar sinais químicos e estruturas em um fóssil não demonstra, por si só, que todas as interpretações sobre sua origem estejam estabelecidas. Outros especialistas poderão examinar os resultados e propor explicações alternativas.
O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. A íntegra do artigo não pôde ser consultada devido a uma verificação de segurança no site da revista; os detalhes da pesquisa foram atribuídos às reportagens identificadas no bloco de fontes.
Um fóssil conhecido desde 2008
O exemplar foi encontrado em 2008 na região de Santana do Cariri e recebeu seu nome científico em 2020. Naquele ano, a Universidade Regional do Cariri informou a devolução do holótipo — espécime usado como referência para descrever a espécie — ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, após estudos no Museu Nacional.
A pesquisa anunciada agora é uma nova análise de um fóssil descoberto anteriormente. Ela não relata a obtenção de DNA de dinossauro nem demonstra a preservação de proteínas intactas.
A imagem que acompanha a notícia é uma ilustração científica de Maurilio Oliveira, publicada com a descrição da espécie. Ela representa o animal e não é uma fotografia do fóssil.





















