
O choque nos ativos brasileiros após a reeleição de Lula (PT) avançou do câmbio e dos contratos futuros para o mercado de ações à vista. Depois de uma interrupção das negociações, o Ibovespa caía 17,13%, aos 169.957 pontos, perto de 11h30 desta segunda-feira (26), segundo o g1. No mesmo horário, o dólar subia 9,72%, a R$ 5,4783.
A B3 confirmou o acionamento do circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as operações em momentos de forte queda. A moeda americana chegou a R$ 5,6048 durante a manhã, conforme o g1. São referências intradiárias de uma sessão ainda em andamento, e não preços de fechamento.
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A revisão das expectativas após a eleição pressionou ações, o real e títulos de prazo longo. Já a queda de commodities no exterior também envolve oferta, clima e fatores internacionais; não pode ser atribuída integralmente ao resultado brasileiro.
Quais ações apareciam entre as maiores quedas
Na consulta do Matutino ao painel de maiores baixas do TradingView às 12h02 de 26 de outubro, Simpar e EcoRodovias apareciam com perdas superiores a 60%. Movida, Quero-Quero, Vamos e Taurus também estavam entre os papéis mais pressionados.
A tabela reproduz o painel naquele momento, em relação à sessão anterior. O provedor não informa nesse ranking o horário individual de cada negócio. Com leilões, interrupções e atualizações em ritmos diferentes, os preços não devem ser tratados como simultâneos, garantias de execução ou resultados finais do dia.
| Empresa | Ação | Variação indicada | Preço indicado |
|---|---|---|---|
| Simpar | SIMH3 | −65,29% | R$ 5,780 |
| EcoRodovias | ECOR3 | −62,21% | R$ 4,97 |
| Movida | MOVI3 | −59,83% | R$ 7,50 |
| Lojas Quero-Quero | LJQQ3 | −57,70% | R$ 1,29 |
| Vamos | VAMO3 | −56,94% | R$ 2,760 |
| Taurus ON | TASA3 | −56,10% | R$ 5,40 |
| JSL | JSLG3 | −53,15% | R$ 5,81 |
| Magazine Luiza | MGLU3 | −52,32% | R$ 6,05 |
| Armac | ARML3 | −52,27% | R$ 3,370 |
| Grupo SBF | SBFG3 | −49,82% | R$ 5,70 |
O ranking é um retrato parcial de ações individuais, não uma medida da queda média da Bolsa. Papéis com maior liquidez ou peso no Ibovespa não necessariamente ocupam as primeiras posições, e o conjunto pode mudar rapidamente durante a sessão.
Por que juros maiores atingem varejo, construção e locadoras
A Reuters informou que o mercado estava amplamente posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). A reeleição de Lula provocou uma revisão dessas apostas e da percepção sobre a trajetória fiscal. Essa é uma explicação para o movimento agregado, sem medir quanto da perda de cada companhia decorre da eleição.
Juros mais altos elevam o custo de financiamento de empresas e consumidores. Também aumentam a remuneração exigida para investir, reduzindo o valor presente de receitas esperadas no futuro. Por esse mecanismo, negócios dependentes de crédito, consumo e investimento podem ser especialmente sensíveis.
Isso ajuda a interpretar a pressão sobre locadoras, varejistas e construção, mas não substitui a análise de dívida, caixa, resultados e notícias próprias de cada empresa. Uma queda percentual elevada, sozinha, não demonstra que a ação ficou barata ou que irá recuperar o preço anterior.
Juros longos saltam; preço dos títulos sofre
Às 9h58, o DI para janeiro de 2035 era negociado a 15,375% ao ano, ante ajuste anterior de 12,745%, segundo a Reuters. A diferença foi de 2,63 pontos percentuais, ou 263 pontos-base. Para janeiro de 2028, a taxa passou de 12,859% para 14,915%.
O avanço do rendimento exigido tende a reduzir o preço de títulos prefixados e indexados à inflação já emitidos, sobretudo os mais longos. Essa marcação de mercado é diferente da remuneração contratual de um título mantido até o vencimento, conforme suas condições.
A agência também informou que o Tesouro cancelou os leilões previstos de títulos indexados à inflação e de prefixados, mantendo o de LFTs, vinculadas à Selic. O Matutino leu a reportagem da Reuters; não apresenta a medida como consulta direta a um comunicado do Tesouro.
Alta dos juros futuros não é uma decisão de aumento da Selic. E a variação da taxa de um contrato de DI não pode ser usada como se fosse a perda percentual de um título do Tesouro ou de um fundo imobiliário.
Açúcar e café lideram as baixas entre as commodities consultadas
O painel do Notícias Agrícolas mostrava queda de 5,53% no açúcar para março de 2027 e de 3,38% no café arábica para dezembro de 2026, em Nova York, às 11h45. A tabela abaixo preserva os vencimentos, a moeda e os diferentes horários disponíveis.
| Ativo / mercado | Vencimento | Variação | Referência |
|---|---|---|---|
| Açúcar — Nova York | Março/2027 | −5,53% | 11h45 |
| Café arábica — Nova York | Dezembro/2026 | −3,38% | 11h45 |
| Petróleo WTI | Dezembro/2026 | −2,28% | 11h45 |
| Soja — Chicago | Novembro/2026 | −1,85%* | 11h47 |
| Algodão — Nova York | Dezembro/2026 | −1,41% | 11h45 |
Fonte: painel do Notícias Agrícolas, com cotações internacionais em dólares. *Na soja, o Matutino calculou a variação a partir de 1.233,25 cents por bushel e recuo de 23,25 cents: preço anterior de 1.256,50 cents, queda de aproximadamente 1,85%. Os horários são de Brasília.
Na cobertura do café, o Notícias Agrícolas relaciona a pressão a estoques, perspectivas de oferta, safra vietnamita e clima; o movimento já vinha dos pregões anteriores. Na soja, a publicação destaca o avanço da colheita americana e a disponibilidade do grão.
Para o petróleo, a cobertura do g1 também acompanha os esforços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. Não há base, nesta apuração, para classificar a queda global do barril como consequência principal da eleição brasileira.
Queda em dólares não equivale à queda em reais
O preço recebido em reais depende tanto da cotação internacional quanto do câmbio e das condições do mercado local. A valorização do dólar pode compensar parte de uma baixa externa, mas isso não ocorre de forma idêntica para todos os produtos, contratos ou produtores.
O próprio painel agrícola ilustra a diferença: o milho futuro da B3 para novembro de 2026, cotado em reais, subia 3,19% às 11h56. Esse contrato não deve ser comparado diretamente a uma commodity negociada em dólares como se ambos tivessem a mesma unidade e formação de preço.
Fundos brasileiros no exterior somam risco de ações e câmbio
O EWZ, fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, chegou a cair mais de 30% durante a manhã, segundo a cobertura do Money Times, publicada às 10h52 e atualizada às 11h02. A queda em dólares incorpora também o efeito cambial; não equivale ao retorno do Ibovespa em reais. São instrumentos diferentes, com carteiras e horários próprios.
Para títulos longos e fundos imobiliários, o aumento dos juros pode pressionar preços. Não foi obtido nesta checagem um conjunto consistente de cotações comparáveis para publicar um ranking de perdas de FIIs, títulos individuais ou minério de ferro. Ausência nesse levantamento não significa que tenham ficado estáveis.
O que o retrato da sessão permite concluir
As fontes mostram uma forte revisão dos preços brasileiros depois da eleição. Elas não permitem transformar toda baixa de uma empresa ou commodity em um efeito exclusivamente político, nem projetar o restante do mandato a partir de algumas horas de negociação.
A condução fiscal, a composição da equipe econômica, os resultados das empresas e o ambiente internacional ajudarão a determinar a sequência dos movimentos. A lista apresentada é descritiva do pregão, sem recomendação de compra ou venda.
Atualização de 26/10/2026: esta reportagem, publicada originalmente às 10h01, foi ampliada com o mercado à vista após o circuit breaker, ações, commodities e juros. Câmbio e Ibovespa têm referência de 11h30; o ranking de ações foi consultado às 12h02; commodities preservam os horários de cada painel. Nenhum desses números representa o fechamento da sessão.





















