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Meteorito encontrado no Saara guarda sinais de água em Marte há 4,1 bilhões de anos

Estudo divulgado nesta quinta analisa a rocha Teghaza 001, encontrada no Mali em 2022. Resultado ajuda a reconstruir a crosta marciana e não comprova existência de vida.

Meteorito Teghaza 001, de superfície rosada e minerais escuros, em foto de divulgação do estudo de 29 de outubro de 2026.
Teghaza 001. © Darryl Pitt/MMGM.

Uma rocha encontrada no deserto do Saara, no Mali, conserva pistas de interações entre água e a crosta de Marte há cerca de 4,1 bilhões de anos. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, o JPL, em apresentação de uma pesquisa publicada na revista Science.

O meteorito recebeu o nome Teghaza 001 e foi encontrado em 2022. Sua idade geológica remete à formação e às transformações da rocha em Marte, muito antes de ela chegar à Terra.

A descoberta no Saara ocorreu em 2022. A novidade desta quinta-feira é a caracterização científica da amostra e de sua história na crosta marciana, não uma coleta realizada agora.

O que os minerais preservaram

Segundo o JPL, a composição e a textura distinguem Teghaza 001 de outros meteoritos marcianos. A mistura de minerais registra o resfriamento de magma e alterações posteriores pela ação da água sob a superfície.

A equipe identificou cristais de zircão e empregou técnicas de datação mineral. O comunicado descreve também uma análise de rubídio e estrôncio realizada em grãos de uma pequena porção da amostra, preservando material para futuras pesquisas.

Os resultados situam uma alteração pela água por volta de 4,1 bilhões de anos atrás. A formação da rocha deve ter ocorrido antes desse episódio; as duas etapas não são a mesma data.

A mineralogia é compatível com regiões elevadas do hemisfério sul de Marte observadas por uma sonda orbital. O estudo aponta locais possíveis de origem, mas não determina um ponto exato de onde o meteorito foi arrancado.

Água antiga não é prova de vida

À Reuters, o coautor Lee Saper explicou que os resultados ajudam a avaliar condições que poderiam ter permitido habitabilidade no passado. Isso é diferente de encontrar microrganismos, fósseis ou outro sinal direto de vida.

O estudo não demonstra que Marte teve vida. Evidências de água e de condições potencialmente habitáveis são pistas sobre o ambiente, não uma confirmação biológica.

O Matutino consultou o comunicado completo do JPL e a reportagem da Reuters. A íntegra do artigo científico não ficou acessível nesta consulta. O próprio JPL informa que esta caracterização inicial abre espaço para novas análises da amostra.

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