
O Brasil direcionou R$ 54,12 bilhões em incentivos a combustíveis fósseis em 2025, estima o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). O valor corresponde a 70,14% dos R$ 77,16 bilhões identificados pelo monitoramento, divulgado em 4 de novembro.
A conta reúne renúncias fiscais, despesas do orçamento e mecanismos financiados por consumidores; não representa apenas dinheiro transferido diretamente pelo governo. A nona edição acompanha 27 instrumentos de apoio à produção e ao consumo de energia.
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As fontes renováveis receberam R$ 23,04 bilhões no recorte adotado pelo instituto. O montante cresceu 20,89% sobre 2024, enquanto os incentivos aos fósseis tiveram redução nominal de 1,27%. Os valores estão expressos em preços correntes.
O crescimento nominal de uma rubrica não mede, por si só, a expansão da energia produzida nem desconta a inflação. O levantamento examina mecanismos de incentivo, que têm regras e beneficiários diferentes.
Quem financia os incentivos
A Conta de Consumo de Combustíveis alcançou R$ 14,11 bilhões. Esse mecanismo ajuda a custear a geração de eletricidade em sistemas isolados, onde há uso de fontes fósseis. Entre as renováveis, a geração distribuída concentrou R$ 14,71 bilhões dos incentivos.
O Inesc defende uma revisão gradual dos instrumentos, com proteção às famílias vulneráveis e avaliação de quem recebe os benefícios e de quem suporta os custos. Trata-se da recomendação dos pesquisadores, não de uma reforma já aprovada.
Os dados são de 2025 e não incorporam automaticamente as medidas emergenciais adotadas em 2026. Na manifestação divulgada na quinta-feira (5), o Ministério da Fazenda destacou essa diferença temporal e apontou o crescimento do apoio às renováveis.
Separar os períodos evita somar o levantamento a anúncios posteriores como se todos fossem gastos do mesmo ano. O monitoramento utiliza metodologia própria, adaptada da OCDE, com informações oficiais e estimativas.





















