Brasil

Tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa caiu 43% em quatro décadas

Série do MapBiomas compara 1986 e 2024: a contagem de porções aumentou 45%, mas o indicador não mede sozinho a área total de mata.

Ilustração editorial por IA de porções de mata nativa separadas por áreas agrícolas; não é mapa ou imagem de satélite real.
Ilustração editorial por IA. Crédito: Matutino, 30/10/2026.
Ilustração editorial por IA de porções de mata nativa separadas por áreas agrícolas; não é mapa ou imagem de satélite real.
Ilustração editorial por IA. Crédito: Matutino, 30/10/2026.

O tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa no Brasil diminuiu 43% entre 1986 e 2024, enquanto a quantidade de porções separadas aumentou 45%. A estimativa integra a Coleção 11 do MapBiomas e descreve como a vegetação remanescente se distribui na paisagem, sem medir sozinha a área total de mata do país.

Em 1986, o levantamento identificou 2,35 milhões de fragmentos, com média de 286 hectares por porção. Em 2024, eram 3,41 milhões, com média de 163 hectares.

Concentração e diferenças regionais

Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Paraná reuniam 49% dos fragmentos registrados em 2024. Esse percentual é sobre a contagem de porções, e não sobre a extensão de vegetação nativa existente em cada estado. Em 46% dos municípios, a área média por fragmento era inferior a 25 hectares.

A região Norte apresentou as maiores médias estaduais, e o Amazonas liderou, com cerca de 4 mil hectares por fragmento. No outro extremo, São João de Meriti, no Rio de Janeiro, teve média de 1,9 hectare. Os números municipais descrevem médias e não significam que todos os remanescentes de uma localidade tenham esse tamanho.

O número de fragmentos cresceu ao mesmo tempo que a área média caiu; as duas medidas contam aspectos distintos da paisagem e não devem ser lidas como se fossem a variação da área total de mata.

O que o indicador mede

O MapBiomas define fragmentos como porções de vegetação nativa separadas por áreas convertidas para outros usos, como agricultura, pastagem ou ocupação urbana. O módulo de Degradação combina tamanho, isolamento, bordas, fogo e outros vetores para caracterizar a exposição da vegetação a pressões.

Pesquisadores citados no levantamento relacionam a perda de conectividade a dificuldades de dispersão e reprodução de espécies e a maior exposição a efeitos de borda e fogo. Esses efeitos são interpretações ecológicas associadas ao padrão de fragmentação; a contagem de fragmentos, isoladamente, não determina o estado de cada espécie ou área.

A própria plataforma permite combinar os vetores em cenários distintos. Para 2024, a estimativa de vegetação nativa exposta a pelo menos um vetor variou de 53,3 milhões a 134,8 milhões de hectares conforme os critérios adotados.

A série compara mapas anuais de cobertura e uso da terra de 1986 a 2024. O MapBiomas disponibiliza a metodologia e os dados do módulo para consulta e análise por recorte geográfico.

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