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Avaliação aponta risco crítico para cinco ecorregiões de corais no Brasil

Classificação reúne mudanças observadas e projeções de aquecimento para os próximos 50 anos. Perigo crítico não significa que os recifes já tenham colapsado.

Ilustração editorial por IA de recife tropical raso com corais vivos e estruturas pálidas; não retrata uma ecorregião avaliada.
Recifes de corais. Ilustração por IA: Matutino.

Cinco das oito ecorregiões brasileiras de recifes de coral analisadas na Lista Vermelha de Ecossistemas da UICN receberam a classificação de criticamente em perigo. O resultado considera tanto transformações já observadas quanto o estresse térmico projetado para as próximas cinco décadas.

A avaliação global foi divulgada pela União Internacional para a Conservação da Natureza em 22 de outubro. O recorte brasileiro ganhou destaque em reportagem da Agência Brasil nesta quinta-feira (29). A publicação da notícia hoje não muda a data do levantamento.

Criticamente em perigo é uma categoria de risco de colapso. Não significa que todos os corais morreram ou que os ecossistemas avaliados já deixaram de funcionar.

Quais áreas entram no alerta

O resumo regional identifica Parrachos; Atol das Rocas e Fernando de Noronha; Costa dos Corais; Baía de Todos os Santos e Baixo Sul; e Abrolhos. A divisão utilizada foi ajustada por especialistas para refletir diferenças ecológicas, resultando em oito unidades de avaliação no país.

Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande ficaram com dados insuficientes para uma categoria geral. Em alguns critérios, as duas primeiras já apresentam sinais de ameaça; faltam informações sobre outros aspectos que poderiam indicar um risco maior.

Ausência de dados suficientes não equivale a ausência de risco. Ela indica uma lacuna que impede completar a avaliação, e não uma certificação de que a área está segura.

Observação e projeção têm papéis diferentes

Considerando somente as mudanças observadas nos últimos 50 anos, três das cinco áreas com informação suficiente já aparecem como criticamente em perigo. Baía de Todos os Santos e Baixo Sul e Abrolhos ficam na categoria em perigo nesse recorte.

Quando o cálculo incorpora o aquecimento futuro, as cinco passam ao nível crítico. O cenário utilizado é o SSP2-4.5 do IPCC, um cenário intermediário de emissões. Trata-se de uma projeção condicionada a hipóteses climáticas, não de uma data exata prevista para o desaparecimento de cada recife.

A análise cobre recifes rasos, iluminados pelo sol. Recifes profundos, ambientes rochosos e corais de água fria não foram incluídos nessa avaliação global.

O documento aponta ondas de calor marinhas como ameaça central e cita sobrepesca, expansão costeira, poluição, sedimentos e espécies invasoras como pressões adicionais. Reduzir impactos locais pode favorecer a recuperação, mas não substitui a redução das emissões que intensificam o aquecimento dos oceanos.

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