Agro

Banco Mundial projeta alta de 14% nos fertilizantes em 2026

Relatório também estima alimentos 10% mais caros neste ano e energia com avanço de 32%. Valores são projeções globais, não a inflação brasileira.

Infográfico do Matutino com projeções do Banco Mundial para 2026: fertilizantes mais 14%, alimentos mais 10% e energia mais 32%, comparados a 2025.
Projeções globais para 2026. Infográfico: Matutino.

Os preços globais dos fertilizantes devem subir 14% em 2026, estima o Banco Mundial em relatório divulgado nesta quarta-feira (28). A edição de outubro do Commodity Markets Outlook associa a pressão sobre o agro ao encarecimento da energia, a conflitos que dificultam o comércio de grãos e aos riscos climáticos do El Niño.

Os 14% são uma projeção para a média dos preços internacionais dos fertilizantes em 2026, comparada a 2025. Não representam um reajuste uniforme para todos os insumos vendidos no Brasil.

A instituição espera que esses preços voltem, em 2027, a níveis próximos dos registrados em 2025. A previsão depende da evolução da oferta e das condições de transporte e energia; não é uma garantia de redução em cada contrato de compra.

Alimentos acumulam pressão em dois anos

Para as commodities alimentícias, o relatório prevê alta de aproximadamente 10% em 2026 e de 7% em 2027. Os aumentos sucessivos representam cerca de 18% no conjunto dos dois anos, considerando a composição das taxas.

O índice internacional de alimentos não equivale à inflação da cesta de supermercado brasileira. Câmbio, safra, impostos, logística e margens influenciam o repasse ao consumidor em cada país.

O cenário incorpora perturbações nos embarques de grãos pelo Mar Negro e a possibilidade de perdas agrícolas associadas ao El Niño. Custos de combustível e adubação também entram na conta da produção.

Energia é o maior avanço previsto

O Banco Mundial projeta aumento de 32% nos preços de energia em 2026. Para o petróleo Brent, estima média de 91 dólares por barril neste ano e de 79 dólares no próximo. O conjunto das commodities deve avançar 23% em 2026 e recuar 7% em 2027.

Esses números pertencem ao cenário central do relatório. Ele pressupõe ausência de grande agravamento dos conflitos que afetam a oferta e perdas climáticas administráveis nas lavouras.

Uma intensificação dos conflitos ou um El Niño mais severo pode tornar o resultado pior que o cenário central. A projeção de preços não mede colheita realizada, rentabilidade de uma fazenda ou disponibilidade efetiva de insumos.

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