Economia

BC vê bancos resistentes a choques, mas alerta para dívidas das famílias

Relatório do primeiro semestre aponta capital e liquidez confortáveis; indicadores de dificuldade de pagamento pioraram.

Edifício do Banco Central em Brasília, visto do alto.
Banco Central em Brasília, em 12/01/2026. Foto de arquivo: Pedro França/Agência Senado, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0. Não retrata a apresentação do relatório de outubro.

O Banco Central avalia que não há risco relevante para a estabilidade financeira do país, embora o crédito às famílias exija mais cautela. No Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta terça-feira (27), a autoridade descreve capitalização e liquidez confortáveis nas instituições e capacidade de enfrentar cenários adversos.

O diagnóstico convive com uma piora da situação dos devedores. O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou ao maior nível dos últimos 21 anos, segundo o documento.

O relatório tem como referência o primeiro semestre de 2026. Não é uma medição dos efeitos do resultado eleitoral nem uma avaliação específica do pregão de 26 de outubro.

Atrasos pressionam o crédito

Os ativos problemáticos das famílias atingiram o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades analisadas. O indicador abrange operações com atraso ou sinais de dificuldade de pagamento; o BC aponta a inadimplência como principal fator do aumento.

O documento registra desaceleração do crédito e maior cuidado dos bancos ao conceder novos empréstimos. Famílias de maior risco e empresas de menor porte estão entre os segmentos que exigem atenção. A pressão sobre a capacidade de pagamento deve continuar no segundo semestre, segundo a avaliação apresentada.

Resiliência do sistema não elimina riscos individuais

As provisões das instituições permanecem compatíveis com as perdas esperadas, e os testes de estresse de capital e liquidez indicam resistência a cenários desfavoráveis. O relatório reconhece, porém, situações particulares em instituições de pequena participação no total de ativos.

A conclusão sobre o sistema como um todo não significa que todos os bancos tenham a mesma exposição, nem que o endividamento das famílias tenha deixado de ser um problema.

Na pesquisa feita com instituições financeiras, 73% das participantes estavam muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema. Esse percentual descreve as respostas das instituições consultadas; não representa a proporção de brasileiros confiantes ou de famílias sem dívidas.

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