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Acnur estima quase 90 milhões de deslocados em países sob alto risco climático

Levantamento divulgado antes da COP31 mede a exposição dos países a secas, enchentes e calor extremo.

Distribuição de ajuda a pessoas afetadas por enchentes em Bangladesh, em 2024.
Ajuda em Bangladesh, 2024 · PID.

Quase 90 milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas viviam, em meados de 2026, em países com exposição alta ou extrema a ameaças climáticas. A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) divulgou a estimativa em 6 de novembro, antes da abertura da COP31, em Antália.

O número representa cerca de três quartos das pessoas deslocadas à força no mundo. O recorte mede a exposição climática nos países onde elas vivem, independentemente do motivo inicial da fuga. Entre as ameaças avaliadas estão secas, enchentes e calor extremo.

Risco também na volta

Mais de dois terços dos refugiados que voltaram a seus países no primeiro semestre de 2026 retornaram a países altamente vulneráveis a ameaças climáticas, segundo a agência. O Acnur cita o caso da Síria, onde inundações ao longo do rio Eufrates em maio danificaram casas e obrigaram moradores a se deslocar novamente.

O órgão também aponta o risco de que assentamentos na África Subsaariana tenham períodos mais longos de calor perigoso até 2050. A estimativa depende de projeções e se refere aos locais avaliados, com exposição variável entre assentamentos.

O pedido à conferência

O Acnur estima que países frágeis ou afetados por conflitos recebam cerca de 10% do financiamento climático global. Em Antália, a agência quer que governos incluam refugiados e deslocados em seus planos nacionais e dirijam mais recursos de adaptação às regiões de acolhimento e retorno.

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