
O Brasil tem o maior custo líquido de juros em proporção ao PIB entre quatro países comparados pelo Matutino com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). A projeção de outubro para 2026 equivale a 7,78% do PIB brasileiro. Na mesma base, são 3,90% na Itália, 3,62% nos Estados Unidos e 0,27% no Japão.
O cálculo usa o saldo primário menos o saldo global do governo geral. A diferença corresponde aos juros líquidos: despesas com juros descontadas das receitas de juros. Para os quatro países, o período de referência é o ano-calendário de 2026.
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Em proporção ao PIB, a estimativa brasileira é aproximadamente o dobro da italiana e mais que o dobro da americana. A comparação mede o peso dos juros em relação ao tamanho de cada economia. Os percentuais não representam a parcela do orçamento nem uma comparação de valores convertidos em reais.
O que o Banco Central mediu no Brasil
Em série separada, o Banco Central registrou R$ 1,205 trilhão em juros nominais do setor público consolidado nos 12 meses até setembro de 2026, o equivalente a 8,99% do PIB. No intervalo equivalente do ano anterior, foram R$ 984,8 bilhões, ou 7,86% do PIB.
Os juros nominais do Banco Central são apropriados por competência. Seu cálculo inclui os efeitos dos swaps cambiais, contratos usados pelo BC no mercado de câmbio. Em setembro de 2026, o ganho com essas operações ficou abaixo do registrado um ano antes. O Banco Central também cita o crescimento do estoque da dívida e do IPCA para explicar a alta no mês.
Por que uma dívida maior pode custar menos
O FMI projeta dívida bruta de 97,0% do PIB no Brasil, 126,8% nos EUA, 137,9% na Itália e 199,4% no Japão. O estoque mostra o que se deve em determinado momento. Os juros medem um fluxo ao longo do ano, influenciado pelas taxas dos títulos, pelos prazos e pelas receitas de juros do governo.
O Ministério das Finanças do Japão, por exemplo, reservou ¥ 13 trilhões para juros no orçamento inicial do governo nacional para o ano fiscal de 2026. A dotação é uma previsão orçamentária de pagamentos brutos. A Itália projeta € 96,877 bilhões em despesas com juros em 2026 (4,2% do PIB), segundo documento enviado ao Parlamento. Nos Estados Unidos, o Tesouro registrou US$ 1,052 trilhão de juros líquidos do governo federal no ano fiscal encerrado em setembro. Os três números seguem recortes nacionais diferentes dos usados pelo FMI.





















