
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) encerraram na sexta-feira (23) o último debate presidencial antes da votação de domingo (25). Na TV Globo, no Rio, o confronto passou das propostas às acusações pessoais, sobretudo na rodada final.
César Tralli mediou quatro blocos: um dedicado às regiões do país, dois com assuntos escolhidos entre os temas apresentados e o último de discussão livre. Cada candidato teve oito minutos nessa etapa final.
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Custo de vida e renegociação de dívidas
O endividamento das famílias atravessou a discussão econômica. Flávio criticou o preço dos alimentos e defendeu usar a Caixa para comprar dívidas e refinanciá-las, com adiamento dos pagamentos. Lula respondeu que já havia encaminhado uma iniciativa de renegociação e citou as etapas do Desenrola. Os dois disputaram a autoria da solução, além de cobrar resultados do adversário.
Lula defendeu os reajustes reais do salário mínimo promovidos pelos governos petistas. Flávio também prometeu aumentos acima da inflação e afirmou que preservaria Caixa, Banco do Brasil e Petrobras. O presidente cobrou explicações sobre o alcance dos cortes anunciados pelo senador.
Ao tratar das aposentadorias, o senador também prometeu reajustes acima da inflação. Lula questionou como ele compatibilizaria essa promessa com os cortes defendidos na campanha.
Licença-maternidade e Bolsa Família
Lula cobrou o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual. O senador reconheceu o erro e disse ter mudado de opinião após se tornar pai. O petista contestou a justificativa.
Lula questionou antigas críticas de Flávio ao Bolsa Família. O senador prometeu manter e ampliar os benefícios sociais.
SUS e disputa sobre cortes
Na saúde, Lula cobrou declarações atribuídas à equipe econômica de Flávio e criticou a gestão da pandemia pelo governo Jair Bolsonaro. O senador prometeu investir no SUS e disse que seu ajuste atingiria corrupção, burocracia e impostos.
Flávio também propôs refinanciar as dívidas das Santas Casas e atualizar a tabela que define a remuneração dos procedimentos do SUS.
Educação, infraestrutura e prioridades regionais
Na educação, Lula defendeu ampliar o ensino integral e o Pé-de-Meia para universitários. Flávio prometeu manter o benefício, apoiar famílias sem vagas em creches e reforçar a formação técnica. A discussão também passou por tecnologia nas escolas e pela relação entre qualificação e emprego.
A rodada regional levou ao palco obras, ferrovias, saneamento e crédito agrícola. Flávio criticou empreendimentos paralisados; Lula citou a Transnordestina e o túnel Santos–Guarujá. No tema amazônico, o presidente destacou preservação e Fundo Amazônia, enquanto o senador defendeu infraestrutura e autonomia indígena. Foram posições dos candidatos, sem auditoria de todos os números apresentados.
As apostas on-line também entraram no confronto. Lula defendeu o veto ao jogo; Flávio o classificou como medida eleitoral e apontou efeitos sobre clubes patrocinados por empresas de apostas.
Segurança e a presença da mãe de Ana Clara
O debate sobre segurança ganhou um componente pessoal com a presença de Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, morta aos cinco anos durante uma operação policial no Rio em 2021. Lula questionou Flávio por integrar a defesa do policial acusado de atirar na criança.
O senador afirmou que não havia prova de que o disparo tivesse partido do agente citado e defendeu o endurecimento da política de segurança. O policial é acusado; a discussão política não substitui o julgamento do caso.
A referência à deficiência e o pedido de desculpas
A referência de Flávio aos “nove dedos” provocou uma reação de Lula, que recordou o acidente de trabalho e exigiu retratação. O senador pediu desculpas e voltou a cobrar o governo por problemas sociais. Foi uma das trocas mais tensas da noite.
Vorcaro, patrimônio e acusações no bloco final
No trecho de tema livre, Lula questionou Flávio sobre a disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz. O senador negou responsabilidade e rebateu com uma acusação sobre um presente de Daniel Vorcaro ao presidente. Lula negou ter recebido a bebida mencionada pelo adversário.
Sobre Dark Horse, filme a respeito de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que o financiamento foi privado. O UOL Confere contestou a afirmação do senador de que um relatório da PF o teria isentado no episódio.
Os candidatos também cobraram explicações sobre patrimônio e abertura de contas. As acusações do confronto e as negativas não substituem a verificação documental ou o resultado das investigações.
Declarações que exigem contexto
A checagem publicada pelo UOL Confere apontou problemas em falas dos dois candidatos. Sobre a Constituição de 1988, o veículo classificou como enganosa a associação feita por Flávio entre o voto contrário do PT ao texto final e a criação do SUS. A bancada assinou a Constituição na promulgação; votar contra o conjunto do texto não demonstra, por si só, oposição a cada dispositivo.
O mesmo levantamento classificou como falsa a declaração de Lula de que a economia não crescia acima de 3% desde sua saída da Presidência, em 2010. O UOL cita crescimentos superiores a esse patamar em 2011 e 2021. São conclusões da checagem do veículo, sem nova extração estatística do Matutino.
As checagens tratam de afirmações específicas e não validam automaticamente as demais falas de qualquer candidato. Também não constituem um placar geral de veracidade do debate.
Como a noite terminou
O encontro terminou às 23h50, segundo o registro da Veja. Nas considerações finais, Lula pediu continuidade e destacou sua trajetória; Flávio retomou poder de compra e segurança. A decisão eleitoral ficará com o voto de domingo, não com uma declaração de vencedor desta reportagem.
Reportagem ampliada em 24 de outubro, com síntese das coberturas concluídas e checagens identificadas nas fontes. O Matutino não realizou apuração presencial. A ampliação substitui o balanço resumido anterior, mantendo o histórico de publicação.





















